
O sempre polêmico e tão usualmente inteligente Caetano Veloso, nos brinda com uma entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, no último dia 05 de Novembro e faz mais que brindar: Desta vez nos surpreende com uma postura pouco usual de sua parte, de trazer em seu discurso, um novo passageiro: o preconceito!
Na entrevista concedida à jornalista Sonia Racy, Caetano é singular e plural, prá variar, e coloca na mesma panela ingredientes frasais conflitantes, bem à moda futurista de Tomazzo Marinetti. Ao referir-se a uma matéria recente do New York Times que diz ser o Brasil o País mais importante do mundo para o qual os olhos do mundo se voltam, provoca uma espécie de haraquiri verborrágico ao definir o Presidente deste País (que é o dele) como “analfabeto”, “cafona” e “grosseiro”.
Ao longo das linhas, Caetano vai-se enrolando em fios de palavras e frases mal postas e faz na entrevista o que ultimamente tem feito em seus shows: caído! O Padre Antônio Vieira ficaria de cabelo em pé vendo a cova em que Caetano Veloso coloca as palavras (mesmo que em Português corretíssimo, mas de forma politicamente tão incorreta). Além do New York Times e The Economist, Caetano deveria ler Marcos Bagno e o recente livro do Professor e psicanalista Eduardo Leal Cunha, um baiano (como Caetano) de 44 anos, Indivíduo singular e plural – A identidade em questão, e mergulhar mais em outras searas da inteligência política, para não cair em tentações oligofrênicas de (de)formador de opinião, e acolha a complexidade da realidade de que ele se diz tão fã. Desta forma, provavelmente, exercendo o poder argumentativo (de quem somos todos ouvintes e leitores atentos), seja mais pragmático que Lula e continue exercendo a elegância que confere o nosso Presidente aos seus mais diletos eleitores, o povo, quando fala a sua língua, não por populismo, mas por competência lingüística de quem veio do povo e a este se comunica.
“Mas repito: eu sou daquelas moças... não estudei direito”, diz Caetano à Sônia Racy. Então, deveria estudar melhor a forma de apontar o dedo para o nariz alheio estando preparado para ver o próprio nariz sujo de preconceito refletido no espelho das palavras escolhidas. “As pessoas na verdade vão para atitudes muito irracionais”...Freud explica! “Então não é que as coisas mudaram, e estamos vendo um Caetano preconceituoso e fragmentadoramente iluminista, é que elas vieram à tona. Suponho que o povo percebe. Mas olha, vir à tona é uma melhoria.
Vivo como se estivesse em 1957. Caetano é um “zii” da lingüística de Marcos Bagno (na pior e mais pejorativa maneira de dizer). Parafraseando nosso tão elegante e ultimamente tão equilibrado Caetano, “sempre achei que o Brasil é um País com (nor)destinos de grandeza e uma originalidade fatal”.
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